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Da abelha para o pote

Ex-profissional do mundo corporativo larga tudo em busca do mel mais puro possível. Agora vende as joias que encontrou

Robert Halfoun - Publicado em 05/12/2017, às 10h30

Vender mel puro. Puríssimo. Essa é a proposta da Sâmia Torresini, uma ex-profissional do mundo da tecnologia, que resolveu deixar o mercado corporativo em busca de uma vida mais apaixonante. “Queria fazer algo pelo o qual eu me apaixonasse. Não sabia o que mas sabia como.”

A resposta do que fazer surgiu sem querer quando, no meio do seu ano sabático, ela ganhou do sogro uma enorme quantidade de mel recém-extraído de um pequeno sítio no Rio Grande do Sul. “Era saborosíssimo, com toques de eucalipto e laranjeira, árvores típicas da região.” Bastou colocar a primeira colher na boa, sentir o gosto que marcou a sua infância, e Sâmia conseguiu o que queria: se apaixonou.

Com tanto mel em casa e com a ideia de seguir um novo caminho pululando na sua mente, foi fácil ver a estrada que seguiria. Começou a ligar para amigos e oferecer o produto que adorara. Vendeu tudo o que tinha em horas e ficou com a certeza de que estava na trilha certa.

Ali nasceu a Artesano, cuja a missão é encontrar esses mínimos produtores que, assim como Sâmia, trabalham com paixão e verdade, visando um consumo consciente que protege as abelhas e traz sustentabilidade para a cadeia produtiva.

Hoje a empresa com três desses produtores, um de Minas, um de Sã Paulo e o tal do Rio Grande do Sul (veja quadro). O volume de mel que vêm deles é pequeno. E deve ser assim mesmo. O mel é fresquíssimo, engarrafado pouco depois da extração – porque isso faz diferença – sem qualquer intervenção. Isto é, a Artesano vende mel cru. Cru? Sim, o mel que não passa por qualquer processo de aquecimento e, muitas vezes, chega ao pote cristalizado. Por que mel bom de verdade cristaliza.


Sâmia e o marido explicam tudo isso para os clientes que vem surgindo aos montes nas feiras de economia criativa que eles têm participado. Para quem estranha o mel cristalizado, a hoje especialista no tema explica como aquecer suavemente o mel (veja quadro), para que ganhe a textura e aparência translúcida com as quais estamos mais acostumados. Errar nesse processo é matar o produto, com notas tão delicadas e, mais do que isso, anular as suas poderosas propriedades que fazem tão bem a saúde.

Daqui para frente, Sâmia vai adotar mais produtores. Tem descoberto muita gente, mas nem todo mundo se encaixa no conceito de produção que prega. “Sou muito rigorosa com isso. Busco qualidade e verdade em todas as etapas do processo.” 



* Esta reportagem foi publicada originalmente na edição #10 da Revista Sabor.club. Para assinar, acesse http://sabor.club/assine/