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Os vinhos do LCD

Como a bebida influenciou o novo disco de um dos maiores artistas da música contemporânea

Da redação - Publicado em 07/12/2017, às 08h52

Os fãs do disco-punk do LCD Soundsystem estão em polvorosa, desde o lançamento do novo álbum American Dream. Depois de cinco anos de inatividade, o disco está sendo definido simplesmente como “magnífico”. E é mesmo. O que se ouve é um amadurecimento natural desse ícone da música eletrônica, sem demonstrar cansaço ou “velhice”.

As dez músicas do trabalho são envolventes, repletas de referências bacanas como Lou Reed, Van Morrison e David Bowie. Em outras palavras, American Dream é artsy, é tecno, é punk, é dance. E, sim, é palatável. É ótimo! Certamente como os vinhos que James Murphy, o cabeça da banda está tomando.



O músico de 47 anos é um adorador da bebida de Baco. Tanto que tem até um bar-restaurante dedicado a ela. O The Four Horsemen fica no descoladíssimo Williamsburg, no Brooklin, em Nova York, com uma adega de mais de 200 rótulos, muitos naturais, grande parte deles escolhidos com a curadoria do músico.

A ideia dele, declarou ao abrir a casa em 2015, era ter um lugar “para fazer uns brindes e reunir os amigos”. Conseguiu mais do que isso. O The Four Horsemen é um lugar moderno, despretensioso e agradável, com madeira clara pelas paredes. Elas deixam o ambiente  aconchegante mas tem um fim todo especial, pensado por Murphy: tratamento acústico.

A gente não vê, mas a casa poderia ser um estúdio onde o som flui naturalmente, como um bom vinho que circula pela boca. “Você pode ter o melhor equipamento do mundo. Se a acústica for ruim, o resultado será uma merda. E pode ter um aparelho de US$ 20. Se acústica é boa, ele vai soar como o melhor equipamento do mundo.”

No The Four Horsemen, o músico  onta com um sistema vintage McIntosh C28 Stereophonic Preamplifier que toca álbuns inteiros de artistas como Van Morrison e The Monks, coisa rara de se ver por aí. Murphy é um sujeito atrevido, como a música que ele faz. E gosta de frases fortes. 



Em entrevista ao The New York Times revelou que sempre foi um adorador de cervejas e  bourbon. Até que tomou o Frank Cornelissen MunJebel Bianco No. 3, um branco natural, da região do Etna, na Itália, e “a experiência mudou a sua vida”. “Foi incrível e muito mais radical do que o que eu esperava”, disse.

Também fica surpreso quem prova o cardápio do Four Horsemen. Aqui se serve pratos modernos nos quais há um grande investimento nos ingredientes sazonais e frescos. Com valorização dos grãos, molhos leves e combinações beeeem criativas.

Vale o brinde, James.


The Four Horsemen – 295 Grand St., Brooklyn – NY. Tel.: (718) 599-4900


* Esta reportagem foi originalmente publicada na edição #9 da Revista Sabor.club. Para assinar, acesse http://sabor.club/assine/