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Quero ser grande

Qual é o segredo da cervejaria artesanal que mais cresce no país

Fernanda Meneguetti - Publicado em 11/01/2018, às 16h00

Anos atrás, Aloísio Farah Xerfan era só um executivo da BASF, empresa química alemã, que vira e mexe precisava ir à sede, na Alemanha. Entre uma reunião e outra, era levado pelos colegas a festivais regados a incontáveis litros de cervejas locais, sempre feitas com o mais puro malte: “Era uma experiência incrível experimentar aquelas bebidas feitas por famílias que mantinham uma tradição, algumas delas por mais de 100 anos.”.


Litragem acumulada, uma experiência na Schincariol e um curso de sommelier no Instituto da Cerveja Brasil (ICB), levaram-no a Itupeva, a menos de 80 quilômetros da capital paulista. E, ali, passados oito meses de estudos, nasceu a Jackpot, primeiro rótulo da Blondine. Bebezinha de tudo, ela era uma pilsen. Ou seja, dourada, leve e translúcida, feita exclusivamente com quatro ingredientes: malte de cevada, lúpulo, água e levedura. No entanto, de 2010 para cá, ela foi se transformando, a ponto de se converter em uma Munich Helles, mais seca e ainda mais maltada do que a receita original.



Nesse mesmo tempo, a tal da Jackpot ganhou 26 irmãos. Nenhum adotivo, mas todos geneticamente distintos entre si – tem triple, indian pale ale, witbier, belgian blond ale, uns com adição de café, outros de piña colada, uns com mais lúpulo, outros com mais malte... Em comum, os 27 rótulos têm como nome do meio, artesanal.

Que fique claro: nada de papinho de micro cervejaria. Aqui, o que importa é não usar nenhum tipo de produto químico na cerveja, nenhum corretivo, nenhum conservante, nenhum cereal não maltado. “A padronização dos produtos tem base nas próprias matérias primas, sem corretivos, o que pode variar de um ano para outro de acordo com a safra dos produtos”, explica Aloisio, que desse modo é capaz de gerar 350 mil litros de bebidas por mês. Detalhe: uma parte dessa cerveja é distribuída nos Estados Unidos. 



> Cerveja de amigo
Aloísio Farah Xerfan, o Sr. Blondine, faz rótulos para nomes como Jefferson Rueda e Supla

Horny Pig: Produzida para a Casa do Porco, é uma IPA (de indian pale ale e de incríveis porcos alegres) que, apesar do amargor e teor alcoólico elevado do estilo, tem pegada leve e descontraída, perfeita para harmonizar com a carne suína.

ICI-00: Cerveja tipicamente alemã, mas de alma afrancesada graças a um dry-hopping (inclusão de lúpulo durante a fermentação ou maturação da bebida para extrair seus óleos essenciais) francês.

Braz Elettrica: Fabricada para a pizzaria paulista homônima, é uma lager com lupulagem americana cítrica, o que lhe confere frescor e alta drinkability.

Papito: IPL (India Pale Lager), estilo que vem ganhando espaço no mundo cervejeiro, feita em parceria com o Supla. Lupulada, aromática e saborosa, como uma ale, porém mais seca graças às leveduras usadas nas lagers.



> > Por dentro da fábrica

Visitar e degustar é um programa gostoso a 1 hora da capital paulista

Uma manhã de sábado por mês, a cervejaria abre a fábrica para visitação e degustação de quatro estilos de cerveja. Ao final do passeio, o visitante leva um copo de cristal feito à mão para casa (R$ 33). Detalhe, quem for dirigindo tem direito ao ingresso “amigo da vez” (R$ 12), que garante, além do copo, uma garrafa de 310 ml. Reservas podem ser feitas pelo tour@blondine.com.br.



>>> Trump gosta
A brasileira é uma das cervejas oficiais dos bares do presidente ianque

A ideia da Blondine é ter uma fábrica nos EUA. Mas por ora a cervejaria brasileira já está feliz com o fato dela ter seus rótulos entre os oficiais dos bares dos Trump Hotels. “Dizem que ele (o presidente Donald Trump) tomou e aprovou pessoalmente”, gaba-se Aloísio Xerfan. Ano que vem ele pretende iniciar o envelhecimento de cervejas em barris oficiais de Jack Daniels. Até lá, ocupa-se com a venda da linha de lager, witbier e IPA vendidas nos supermercados.

Blondine – Rod. Akzo Nobel, 2.143, Rio Abaixo, Itupeva – SP. Tel.: (11) 4496-5293